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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Teoria dos Tolos I

Uma caixa preta, uma ilusão colorida, um sonho, uma miragem...



A sociedade:

Ao longo dos anos, dos séculos, do tempo, a inteligência da humanidade tem-se degradado de uma forma anormal e excessiva. Nos dias de hoje, a humanidade acrítica restringe-se ao óbvio e ao fácil. É tudo tão simples quando não há discordância, é tão mais fácil quando somos robôs, marionetas da sociedade. Quando pertencemos ao rebanho e somos guiados por um pastor que usa da sua força para nos obrigar a tais acções patéticas é tudo tão pouco vivido. Tal como um cão está para um pastor, o preconceito, a ignorância está para quem nos guia no sociedade contemporânea.

Já não há rebeldes, verdadeiros rebeldes. O sentido desta palavra tem-se deturpado com esta sociedade doente com que vivemos. Os rebeldes, no tempo da inteligência, foram aqueles grandes pensadores como Nietzsche, Osho e até mesmo Gandhi. Pessoas revolucionárias, pessoas com qi grande que vincularam as suas ideias como fieis cães. Um rebelde dos tempos que correm é, geralmente um jovem estúpido, com necessidade de atenção que infligindo dor física, roubando, negando todos os princípios que a ele lhe são incutidos, mesmo que esses sejam os correctos logicamente e racionalmente, nega-os por pura necessidade de negação mostrando-se crítico acríticamente, mostrando-se superior de uma forma seguindo as normas inversas à teoria de Charles Darwin. É preciso negar para mostrarmos a nossa razão e os nossos diferentes pontos de vista como também é preciso saber concordar quando a razão assim o dita. É assim que aprendemos, crescemos e conhecemos. Quando se faz algo pelo simples fazer abre-se uma rotina chata, aborrecida e pouco inteligente. Na sociedade de hoje ser criativo é mau. Tudo o que precisamos é nos forçado a entrar pela educação escolar. O sentido de inteligência também foi estropiado. Aquela pessoa inteligente, criativa, crítica e única de acordo consigo própria é agora aquela que tem opiniões e se restringe a decorar aquilo que lhe é oferecido, é a pessoa com boa memória.


A televisão como modelo:

Mas afinal qual é o papel do quarto poder nisto tudo?

A televisão é mais um dos lideres, mais um dos pastores. É incomensurável a influência que tem, consegue mover multidões, consegue mover o mundo, o mundo guiado pela caixa preta.

A televisão educa ou deseduca?

No meu ponto de vista, educa cada vez mais quem é inteligente e deseduca cada vez mais quem carece de inteligência. Vejamos, uma pessoa inteligente é curiosa, procura saber, pensar. Neste caso, canais como o canal história educam, dão-nos grande informação sobre coisas que são na maior parte inacessíveis por uma pessoa vulgar. Tornamo-nos ainda mais cultos e sábios, tornamo-nos ainda mais curiosos e interessantes. Uma pessoa parva procura o fácil, não está para pensar e de acordo com a teoria da evolução, ao não usar o pensamento para o evoluir, não o evolui. Programas como os morangos com açúcar mostram ideias erróneas, ideias que aos poucos se tornam preconceito.

A adolescência é um período da vida do homem marcada por profundas mudanças fisiológicas, psicológicas, afectivas e intelectuais. É também neste período que se dá a formação da futura identidade, a procura do nosso próprio eu. Nesta fase, geralmente, os adolescentes que se restringem ao provável, procuram modelos no meio que os rodeia. Esta faixa etária tem tendência para imitar um conjunto de gestos, comportamentos, movimentos e até formas de falar de certas personagens da televisão como os actores preferidos. Quem realiza as suas primeiras aprendizagens através da observação, experimentação e imitação vai encontrar na televisão um bom meio para aprender. Só que a informação que lhes chega é uma interpretação desta mesma televisão. Sendo assim, os adolescentes vêm esta realidade de forma condicionada. A televisão já aqui demonstra o seu poder, o poder de escolher um modelo padrão para montes de jovens influenciáveis, escolher o futuro das pessoas, escolher o que vai constituir a futura sociedade, as ideias, as mentalidades.


Os dois jovens:

Tenho 16 anos, tenho o qi de 128 e, apesar estar descontente com a televisão dos dias de hoje, vejo até bastante. É só saber escolher, saber procurar, saber usar a inteligência. Sou grande viciado no canal história. Com ele, a minha compreensão aumentou, passei a conhecer bem as diferentes religiões, as diferentes políticas, as diferentes culturas, as diferentes pessoas, passei a conhecer bem o diferente. Mas o que é diferente? Eu sou diferente de tudo o resto, sou eu próprio e, com o conhecimento, passei a conhecer o que me rodeia, o diferente de mim. Não tenho muitos amigos mas aqueles que tenho são realmente amigos, são aqueles que pensam diferente de mim e me ajudam verdadeiramente dizendo-me aquilo que ainda não tinha pensado ajudando-me a entender a paisagem toda. Tenho uma namorada muito diferente de mim, é aquela pessoa que me completa. Somos feitos um para o outro. Em pequeno, via muita televisão porque enquanto que os ensinamentos da minha família, embora tenham sido práticos mas todos um pouco iguais e aborrecidos, a televisão dava-me variedade, dava-me conhecimento que mais ninguém próximo de mim me podia dar. Com o tempo aprendi a criticar o que via, nunca comi algo fácil de induzir. Sou jovem e não sou influenciável. A televisão aumenta-me o conhecimento e a capacidade de compreender, aumenta-me a curiosidade e o desejo de saber, aumenta-me a inteligência. Sou eu próprio e sei usar os instrumentos que tenho a meu favor como a televisão.

Tenho 16 anos, tenho o qi de 90 e sou uma pessoal totalmente normal. Sou obcecado com a televisão e adoro ver programas sobre jovens pois me identifico bastante com eles. Gostava de ser como aquele actor que tem as raparigas todas atrás dele. Aquele que toma drogas e que uma vez roubou o carro ao pai para ir ter com uma das pretendentes. Deve ter sido uma grande adrenalina. Sempre vi televisão a mais, vejo aqueles programas da moda porque assim tenho muitos amigos. Faço parte de um grupo de pessoas que apreciamos os mesmos programas, temos muito em comum, somos mesmo iguais. Parece que fomos feitos uns para os outros. Sempre vi muita televisão, sempre gostei de me identificar e de ser como aquelas pessoas famosas. Não sou único, tento ser igual aquele que aparece na televisão. Se eu gosto dele, mais gente haverá de gostar, se for como ele, mais gente haverá de gostar de mim.


A Geração da Matilha”:

Embora a maior parte dos adolescentes seja influenciável, há um conjunto de pessoas de ideias próprias, ideias alternativas, ideias fortes que se mantém afastado da estupidez que cada vez mais se espalha por este mundo doentio, a “Geração da Matilha”.

Estamos no século que está infectado pelo vírus da padronização, da normalidade acrítica e da resignação.”

Eu, pessoalmente, não entendo o porquê da televisão ter tanto programa pateta enquanto podia ter programas cultos, diferentes, alternativos, programas cujo objectivo fosse mostrar as pessoas que ninguém é igual, ou pelo menos, deveria ser. Se a televisão passasse programas que em vez de reprimirem a inteligência e valorizassem a ignorância fizesse o inverso, talvez a mentalidade das pessoas progredisse e se encontra-se a si mesma. Numa sociedade utópica, encontraríamos personalidades diversas, personagens interessantes, únicas, onde a “geração rebelde” fosse motivo de risada, onde as relações pessoais cujo ideal é o da normalidade fossem inexistentes, onde tudo fosse sentido e vivido, onde a informação dada pela televisão fosse informativa, onde a informação dada pela televisão fosse uma injecção de cultura, uma injecção de inteligência.


Escrito por: Petrvs - Abril de 2009

2 comentários:

  1. Boas,
    Que eu saiba um rapaz com o QI de 128 pode ter uma atitude igual ao rapaz com o QI de 90, isto só para dizer que o QI PODE NÃO SER determinante acerca da influência que a televisão tem sobre ele. Isso estará mais relacionado com a sua personalidade. Para isso acho que deves ver primeiro o verdadeiro significado de QI. Se reparares bem, nem sempre são as pessoas com o QI mais elevado que fazem as descobertas mais importantes e interessantes para a nossa humanidade. Um bom exemplo são actores com um QI mais elevado do que um Einstein ou um Newton em que o seu objectivo é viver bem à custa de quem vê os filmes.

    Cumps.

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  2. Concordo contigo na parte em que dizes que o QI pode não ser determinante acerca da influência da televisão. No entanto, eu apenas dei dois exemplos, referindo o qi, para que se notasse uma certa diferença em termos lógicos pois, generalizando, uma pessoa com uma capacidade de raciocínio mais elevada terá uma maior capacidade de crítica, não se deixando influenciar tanto quanto uma pessoa menos capaz.
    Quanto ao teu segundo argumento, também concordo, as descobertas surgem muitas das vezes ao acaso, é uma questão equiparada ao estar no lugar certo à hora certa mas, mais uma vez, a referência ao QI no meu texto foi uma generalização, não foi uma designação absolutista e indiscutível.
    Perdoa-me o cepticismo mas não acredito que haja um actor com QI mais elevado que o Einstein ou Newton. No entanto, há actores bem inteligentes e, com isto, estás a fugir ao ponto da questão pois eu não disse que quem trabalha em campos televisivos ou cinematográficos é pouco inteligente. Na verdade, eu nem disse que quem assiste a televisão carecia de inteligência. O que eu disse foi que a televisão tem uma enorme influência, podendo esta levar a dois campos distintos: um fornecimento de cultura, caso a pessoa a utilize de uma forma produtiva (generalizando, uma pessoa mais inteligente); uma injecção de estupidez, caso a pessoa a utilize de uma forma inútil (generalizando, uma pessoa menos inteligente). Cientificamente, o nosso cérebro, ao absorver informações desnecessárias, vai-se desgastando e enchendo de porcaria e, sendo assim, uma pessoa que use a televisão de uma forma "errónea" (como por exemplo, vendo futebol), vai utilizar a sua memória reduzindo a sua eficácia.
    Petrvs

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